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Fonte: Reprodução / Site O Sul

APERTEM OS CINTOS
Postado em 06/06/2019 por Bruno Machado de Oliveira

Com a atividade econômica em baixa e sem perspectiva de melhora no curto prazo, o governo começa a acenar com truques antigos para dar algum fôlego à economia. A liberação de parte do FGTS dos trabalhadores foi uma das ideias citadas pelo ministro Paulo Guedes nos últimos dias. Segundo ele, é possível injetar até R$ 30 bilhões na economia por meio dessas liberações. A medida, no entanto, só seria tomada após a aprovação da reforma da Previdência para evitar “voo de galinha”. O ministro “posto Ipiranga” não se cansa de repetir que, sem a reforma, o país não retomará o rumo do crescimento.

Nesta quarta (5) a Caixa Econômica Federal também anunciou que irá reduzir os juros do financiamento imobiliário e renegociar dívidas em atraso de 600 mil famílias. Na semana passada, o banco já tinha lançado um plano de renegociação de débitos de pessoas físicas e empresas. Os descontos oferecidos vão de 40% a 90%. A caixa espera recuperar até R$ 1 bilhão com o programa.

Enquanto a equipe econômica tenta tirar coelhos da cartola para reaquecer a economia, parlamentares governistas brigam para aprovar no Congresso a liberação de R$ 248 bilhões de crédito extra de que o governo necessita para honrar compromissos nos próximos meses. Sem dinheiro em caixa, o governo precisa do aval dos congressistas para emitir títulos da dívida sem ferir a “regra de ouro’. Essa regra impede que o governo contraia dívida para cobrir despesas correntes. De acordo com o Planalto, sem a provação desse crédito extra o governo em breve não terá como pagar benefícios previdenciários, Bolsa Família e outros subsídios.

O presidente Jair Bolsonaro, contudo, parece alheio a todas essas questões. No mundo paralelo do capitão, nada disso parece ter grande importância. Se o país mergulhar numa nova recessão, Bolsonaro culpará os governos anteriores, a oposição e os “comunistas” em geral. Para ele, o que importa é cumprir suas promessas de campanha mais obtusas. Depois de fazer tudo que estava a seu alcance para facilitar o acesso do brasileiro às armas de fogo, o presidente resolveu colocar em prática suas ideias para que os cidadãos voltem a ter “prazer em dirigir”.

Na terça-feira (5) Bolsonaro foi à Câmara dos Deputados entregar um projeto de lei que altera trechos do Código Brasileiro de Trânsito. Entre as mudanças, está a ampliação de 20 para 40 pontos do limite para suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Outros pontos importantes do projeto são: ampliação da validade da CNH de 5 para 10 anos; fim da exigência de exame toxicológico para motoristas profissionais; multa mais branda para motociclistas que transitarem sem capacete; fim da multa para motoristas que trafegarem com o farol apagado nas rodovias.

O trecho mais polêmico do projeto é o que exime de multa motoristas que não transportarem crianças nas cadeirinhas de segurança. Com a nova lei, esses infratores receberiam apenas uma advertência.

As alterações propostas deixaram os especialistas em segurança no trânsito perplexos. Se aprovadas no Congresso, as novas regras favoreceriam os maus motoristas e aumentariam o risco de acidentes.

Mais uma vez o governo demonstra sua falta de apreço pela ciência e pelas estatísticas. Não é por acaso que a Educação e os institutos de pesquisa têm sofrido cortes severos no orçamento. A intenção de Bolsonaro parece ser acelerar em direção à barbárie. Apertem os cintos.



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