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Imagem: Reprodução da TV

BRASIL NA ZONA DE REBAIXAMENTO
Postado em 27/09/2019 por Bruno Machado de Oliveira

Nesta terça-feira (24) o presidente Jair Bolsonaro apresentou a nova cara do Brasil na Assembleia Geral das Nações Unidas. Com exceção dos aliados de ocasião (como EUA e Israel) e dos membros da seita bolsonarista, ninguém gostou do que ouviu. Aqueles que apostaram num discurso moderado e conciliador se deram mal. Quem falou no palanque da ONU foi o Bolsonaro de sempre: ignorante, autoritário e mentiroso.

Conforme a tradição, o presidente brasileiro foi o primeiro a discursar na abertura dos debates. É assim desde 1947, quando o diplomata Oswaldo Aranha presidiu a primeira sessão especial da assembleia. O Brasil, que sempre foi considerado um país amistoso e aberto ao diálogo, foi reapresentado ao mundo por Bolsonaro como uma nação disposta ao confronto e alinhada às piores tendências na política internacional.

Em vez de vestir a fantasia de estadista, Bolsonaro preferiu assumir de vez a figura de líder populista de direita. Ele pode ser acusado de tudo, menos de falsidade.  O foco do seu discurso foi a soberania nacional. O presidente exaltou as qualidades de sua administração e criticou os governos anteriores, sobretudo os petistas, que ele chamou de socialistas. No mundo imaginário do capitão, o Brasil esteve à beira do socialismo pelo menos duas vezes: na década de 60, o que teria justificado o golpe militar, e durante os governos de Lula e Dilma.

Bolsonaro também defendeu a política ambiental do seu governo e minimizou a crise na Amazônia. Sem citar nomes, acusou outros países de interferir indevidamente em assuntos internos do Brasil movidos por interesses econômicos. Contrariando dados científicos, o presidente disse que a floresta amazônica permanece “praticamente intocada”. Ele ao menos teve o cuidado de não repetir perante líderes do mundo todo o que fez por aqui em junho, quando declarou que "o Brasil é uma virgem que todo tarado de fora quer".

Tratando da questão dos povos tradicionais, o mandatário brasileiro afirmou que não pretende ampliar o número de reservas indígenas e que as ONGs do setor querem manter nossos índios como “homens das cavernas”. Para vender a imagem de amigo dos índios, Bolsonaro levou a Nova York a jovem youtuber indígena Ysany Kalapalo, que não é reconhecida pela sua tribo como uma liderança. Na visão do presidente, os índios não querem mais viver na pobreza em terras onde há muitas riquezas por explorar.

Em pouco mais de 30 minutos de discurso, Bolsonaro não perdeu a oportunidade de atacar as ditaduras cubana e venezuelana. Sobre regimes autoritários como Arábia Saudita e Egito, parceiros dos EUA, nada foi dito. China e Rússia também não foram alvos de crítica. Chutar cachorro morto é fácil.

O presidente ainda fez questão de ressaltar seu compromisso com os direitos humanos e com a liberdade de expressão − como se ele nunca tivesse defendido tortura, não menosprezasse as minorias, e como se não fossem corriqueiros seus ataques à imprensa.

Talvez o momento mais delirante da fala de Bolsonaro tenha sido a crítica ao Mais Médicos. O programa criado nos governos petistas pode ser questionado por vários motivos, mas não por ter contratado agentes cubanos disfarçados de médicos para fazer uma revolução comunista no Brasil. Com esse tipo de acusação absurda, Jair Bolsonaro abandona o campo da política e parte para a comédia escancarada. Como dizem os humoristas do Zorra, está difícil competir com a realidade.

Na sexta-feira passada, milhões de estudantes ao redor do mundo foram às ruas para protestar contra a indiferença dos governantes ante o avanço do aquecimento global. O chefe de estado brasileiro não se manifestou sobre o assunto. Assim como também não se posicionou sobre a morte brutal da menina Agatha Félix, de apenas 8 anos, atingida nas costas por um tiro de fuzil durante uma operação policial numa favela do Rio de Janeiro.

Sem resultados relevantes para apresentar sobre sua gestão, e incapaz de formular ideias originais para a construção de um futuro melhor, Bolsonaro optou por abordar os assuntos ultrapassados dos quais vem se ocupando desde a campanha eleitoral: socialismo, patriotismo, família tradicional, valores cristãos... E assim o Brasil é cada vez mais empurrado para a zona de rebaixamento da comunidade internacional, rumo ao isolamento e à irrelevância.



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