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Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

JUROS EM QUEDA E AUTORITARISMO EM ALTA
Postado em 29/11/2019 por Bruno Machado de Oliveira

Juros baixos e dólar alto – é melhor já ir se acostumando. Foi o ministro da economia quem avisou. Na mesma entrevista concedida em Washington, Paulo Guedes também deixou no ar a hipótese de o governo responder com medidas de exceção (AI-5) a possíveis manifestações violentas convocadas pela esquerda (Lula). Para Guedes, a democracia não passa de um detalhe que pode ser ignorado em função de um objetivo maior. É o que pensa também seu chefe, Jair Bolsonaro.

A inflação controlada e a economia fraca contribuíram para que a taxa básica de juros (Selic) atingisse o menor patamar da história: 5% ao ano. O juro baixo é uma tentativa do governo de estimular o consumo e o investimento. Economistas afirmam que os juros não devem subir enquanto a atividade econômica não melhorar. Quando o país passar a crescer acima de 2%, o Banco Central deve voltar a elevar a Selic, que provavelmente não ultrapassará a casa dos 8%.

Segundo especialistas, o dólar alto é reflexo da queda dos juros no Brasil e da guerra comercial travada entre EUA e China. As declarações desastradas dadas pelo ministro Paulo Gudes na última terça-feira só fizeram com que a moeda americana subisse ainda mais.

Embora a taxa básica de juros esteja baixa, o consumidor final continua pagando caro pelo dinheiro. Visando atacar esse problema, o governo anunciou que vai limitar a taxa do cheque especial a 8% ao mês. De acordo com o Banco Central, hoje os juros médios do cheque especial são de 360% ao ano e 12% ao mês. Com a mudança, os bancos poderão cobrar uma tarifa mensal de 0,25% sobre o limite total disponibilizado aos clientes, ainda que esse limite não seja utilizado. Quem tem limite de até R$ 500,00 ficará isento da cobrança. As novas regras passam a valer a partir de janeiro de 2020.

Enquanto a equipe econômica traça as estratégias para o ano que vem, Bolsonaro se encarrega de reforçar a máquina de repressão do Planalto. A onda de revoltas populares que agita o continente ainda não chegou ao país, mas o chefe do Executivo já se prepara para a guerra contra os descontentes. O projeto do “excludente de ilicitude” voltou com força à agenda do governo, que agora quer estender a carta branca para matar aos militares que participam de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

O texto encaminhado ao Congresso prevê o uso da GLO contra atos de terrorismo. Bolsonaro, no entanto, já afirmou que considera o MST uma organização terrorista, o que leva a crer que a nova lei poderá ser usada para criminalizar movimentos sociais. O presidente também deixou claro que pode usar as Forças Armadas para conter manifestações de rua. Nesta sexta (29) o PT entrou com um mandado de segurança no STF pedindo o arquivamento do projeto, que seria inconstitucional.

Bolsonaro e Sergio Moro, seu fiel escudeiro, não medem esforços para isentar de culpa agentes de segurança que cometerem excessos em operações. O governo aposta na força para conter a criminalidade, ainda que mais inocentes morram no meio do fogo cruzado. Pouco ou nada se fala sobre investimento em inteligência e em ações sociais para diminuir a violência na cidade e no campo.

A imprensa e as ONGs voltaram a ser alvo de ataques do presidente nesta semana.

O jornal Folha de S. Paulo, que Bolsonaro critica desde as últimas eleições, voltou a sofrer perseguição do Planalto. O periódico, um dos maiores do país, ficou de fora de uma licitação da Presidência para a contratação de assinaturas digitais de publicações nacionais e internacionais. Trata-se da concretização de uma ameaça feita pelo mandatário meses atrás, quando afirmou que todos os órgãos do governo federal deixariam de assinar a Folha. O gesto autoritário e antidemocrático aproxima ainda mais o presidente de outros líderes autoritários como Viktor Orbán (Hungria) e Nicolás Maduro (Venezuela).

Já as Organizações Não Governamentais voltaram a ser responsabilizadas pelos incêndios na Amazônia. As fake news bolsonaristas atingiram até o ator Leonardo Di Caprio, acusado de financiar ONGs supostamente criminosas. Devaneios. Mentiras. Vexame internacional.

A cruzada governamental contra a civilização segue a todo vapor. Meio Ambiente, Cultura e Educação continuam sob a guarda de incompetentes e fanáticos. Os retrocessos ainda são incalculáveis.

Bolsonaro pode até entregar algum crescimento econômico, mas vai custar caro para a democracia brasileira.



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