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2019 CUSTOU CARO PARA O BRASILEIRO
Postado em 10/01/2020 por Bruno Machado de Oliveira

De acordo com dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 2019 foi um ano puxado para o bolso dos brasileiros. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) fechou o ano em 4,31%, acima do centro da meta do governo (4,25%). A alta da inflação na reta final do ano foi influenciada sobretudo pelo aumento da carne, que subiu 18,06% em dezembro. A inflação não ultrapassava o centro da meta desde 2016.

Além da carne, que teve aumento acumulado de 32,4% no ano passado, outros alimentos também contribuíram para a alta da inflação em 2019, como o feijão-carioca e os ovos, que aumentaram respectivamente 55,99% e 14,73%. No total, o grupo formado por alimentação e bebidas teve alta de 6,37%.

Outros vilões da inflação foram os combustíveis, que subiram 3,57%, os planos de saúde (8,24%), e os jogos de azar (12,88%).

Os reajustes salariais, como de hábito, não acompanharam a alta dos preços. À exceção de algumas categorias privilegiadas do funcionalismo público (os militares mimados por Bolsonaro, os juízes superprotegidos pelo corporativismo, entre outros), não houve aumento real de salários, e o novo mínimo ficou abaixo da inflação.

A medida provisória assinada pelo presidente em 31 de dezembro fixou o salário mínimo em R$ 1.039, um aumento de 4,1% em relação a 2018. Segundo o IBGE, o INPC (Índice Nacional de Preços ao Mercado) − que calcula a inflação para famílias com rendimento de 1 a 5 salários mínimos e é usado para a correção do piso nacional − ficou em 4,48% em 2019. Ou seja, para se igualar à inflação do período, o novo salário mínimo deveria ser de R$ 1.043.

O valor do mínimo para 2020 ainda depende de aprovação do Congresso, que pode fazer alterações.

Os benefícios do INSS de valor acima do mínimo terão reajuste de 4,48%. Este é o terceiro ano consecutivo que aposentados e pensionistas que ganham mais que o mínimo têm reajuste superior ao de quem recebe o mínimo.

De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), o salário mínimo ideal para sustentar uma família de 4 pessoas em 2019 deveria ter sido de R$ 4.342,57, isto é, 4,35 vezes o valor do mínimo em vigor no ano passado (R$ 998).

Em que pese o salário miúdo, 2020 tem tudo para ser melhor na economia do que o ano passado. Essa é a opinião dos especialistas moderados, que não torcem nem contra nem a favor. Previsões muito otimistas costumam trazer algo de torcida, e as negativas demais podem esconder certa má vontade para com o governo de turno.

Se não houver nenhuma crise grave no cenário internacional, e o governo fizer o “feijão com arroz” no plano doméstico, é possível que o PIB cresça acima de 2%, gerando fôlego para um crescimento sustentável de longo prazo. Essa estabilidade, contudo, depende muito do comportamento do chefe do Executivo. Quanto menos Bolsonaro abrir a boca para dizer besteira, melhor para o país.

Ainda que inspire um pouco mais de otimismo na área econômica, 2020 não deve ser um ano tranquilo na política. A julgar pelas declarações recentes do presidente, a sociedade terá de permanecer vigilante e combativa, a fim de evitar mais retrocessos.



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